Ontem, senti-me náufrago. Voguei, durante dias, em ondas de desnorte, em mares de espuma cinza. Contemplei um horizonte infinito de amargura, lívido de rarefeito ar. Deixei-me cair na penumbra, assustado pelos sussuros de medusas, círios de um velório anunciado. Senti na nuca o calafrio gélido do cão da morte. Fui acometido por memórias, antes de uma estranha paz. Acordei com o ligeiro afago das mimosas do teu jardim. Senti na face o teu sorriso, o odor almiscarado da tua pele. Revivi, em ondas de ternura, o riso traquina da tua boca, reflectida nas cálidas águas dos regatos que, como seda, desnudam o teu ventre em danças de mil véus.
2 Comments:
tanta harmonia amiga!!! a imagem é muito bonita e as palavras belas... beijos e saudades...muitas!
Ontem, senti-me náufrago. Voguei, durante dias, em ondas de desnorte, em mares de espuma cinza.
Contemplei um horizonte infinito de amargura, lívido de rarefeito ar. Deixei-me cair na penumbra, assustado pelos sussuros de medusas, círios de um velório anunciado. Senti na nuca o calafrio gélido do cão da morte.
Fui acometido por memórias, antes de uma estranha paz.
Acordei com o ligeiro afago das mimosas do teu jardim. Senti na face o teu sorriso, o odor almiscarado da tua pele.
Revivi, em ondas de ternura, o riso traquina da tua boca, reflectida nas cálidas águas dos regatos que, como seda, desnudam o teu ventre em danças de mil véus.
Um beijo, grande e quente de saudade
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